Entrevista TV Fuji [29 de Abril de 2003] - Masami Kurumada



Shuukan Shounen [Masami Kurumada], 100 perguntas sobre a profissão de mangaká
Primeira transmissão: 29 de abril de 2003, 15:00-16:00, Fuji TV 721


Q1: A que horas você acorda de manhã?
- Masami Kurumada: Como eu devo entregar scripts em uma data determinada, não tenho de fato uma hora precisa para ir domir ou me levantar.


Q2: Em que lugar você encontra ideias?
- Masami Kurumada: Fecho-me em um quarto que eu chamo de “o quarto de ideias”, localizado sobre meu estúdio.


Q3: O que foi que fez você decidir se tornar um mangaká?
- Masami Kurumada: Após terminar o colegial, eu não tinha a intenção de ir para a universidade e depois seguir uma vida normal. Assim, participei do concurso da Shōnen Jump, me dizendo que eu teria que tentar pelo menos uma vez, apenas para ver. Foi aí que comecei a escrever, desenhar e conceber histórias. Pensando de novo, eu de fato me joguei subitamente nesse mundo. Normalmente, as pessoas que querem se tornar mangakás são talentosas em desenhar, e é isto que as incita a seguir este caminho. Mas a beleza dos desenhos não é importante. Para que o fato de produzir os desenhos tenha qualquer sentido, primeiramente é necessário pensar sobre os nomes, o que é a tarefa mais difícil. No caso de uma publicação semanal, eu passo seis dias pensando nos nomes, e as últimas 24 horas são dedicadas a terminar os desenhos.

O mangá de minha estreia foi “Sukeban Arashi”, quando eu tinha 20 anos. Devido à crise do petróleo, a Jump tornou-se mais fina, e as obras publicadas nela tiveram seu número de páginas reduzido. Ele deveria ter sido de publicação mais regular, mas acabou por se tornar um mangá pequeno. Depois de ter concluído Sukeban Arashi, eu trabalhava em meio período na limpeza de prédios, até que comecei Ring ni Kakero. Os tons de linguagem trabalhadora/artesã em Ring ni Kakero provêm de minha experiência em meus pequenos ofícios.

O “-ccha” usado por Kiku é do dialeto da Prefeitura de Yamaguchi. Meus pais são de Yamaguchi.


Q4: E se você não tivesse se tornado mangaká?
- Masami Kurumada: Não faço ideia de como seria.


Q5: Que mídias você utiliza?
- Masami Kurumada: A biblioteca e, agora, a Internet.


Q6: Um instrumento que você está desejando?
- Masami Kurumada: A “cabra pen”. O fabricante é Zebra.


Q7: Você tem um bloco de notas para registrar todas suas ideias?
- Masami Kurumada: Uso tiras de papel ou então pedaços de jornais. Eu não tenho um caderno geral.


Q8: O que o fato de ter se tornado mangaká lhe trouxe?
- Masami Kurumada: Em meu caso, como eu tive a sorte de ter mangás bem sucedidos, é algo que me permitiu ter um estilo de vida mais confortável.


Q9: Alguma vez você já pensou em parar com tal trabalho?
- Masami Kurumada: Não. Muitas vezes acho que procurar os nomes é difícil, mas nunca pensei em deixar esta profissão. Se eu abandonar tudo vou decepcionar muita gente.


Q10: Quando você adquiriu a certeza e a confiança de que era um verdadeiro mangaká?
- Masami Kurumada: Quando Ring ni Kakero se tornou popular.


Q11: O que é importante para uma publicação semanal?
- Masami Kurumada: Ter resistência.


Q12: “Masami Kurumada” é um nome artístico?
- Masami Kurumada: Esse é o meu nome real. Aos meus 18 anos eu tinha considerado usar “Gō Saotome” ou “Jōji Samidare” como pseudônimo, mas por fim desisti. Na minha infância eu não gostava do meu nome e queria mudá-lo, porque Masami é um nome usado para garotas também. Mas finalmente entendi que seu nome é algo que deve brilhar por si mesmo.


Q13: Você se preocupa em respeitar bem os prazos em seu trabalho?
- Masami Kurumada: Não, na verdade.


Q14: Como mangaká, em que momento você enfrentou o desafio mais infernal?
- Masami Kurumada: Em cada capítulo.


Q15: O que você faz quando fica sem ideias?
- Masami Kurumada: Eu me forço até não poder mais.


Q16: Você tem males relacionados ao seu trabalho de mangaká?
- Masami Kurumada: Sinto dores nos quadris e nos ombros. Deve ser o caso de todos os mangakás.


Q17: Qual é o aspecto importante na postura de seus personagens?
- Masami Kurumada: O personagem principal precisa ser alguém perseverante e de sangue quente.


Q18: Com base em que você escolhe seus assistentes?
- Masami Kurumada: Eu levo pessoas que têm certo nível de desenho e que se dão bem com os outros para trabalhar.


Q19: O que é um editor-chefe para você?
- Masami Kurumada: O primeiro fã da obra e alguém capaz de tomar decisões objetivas como responsável pela publicação; em outras palavras, um companheiro.

Na época em que fazia Ring ni Kakero, meu editor-chefe (eu mesmo) e todos os outros envolvidos ainda eram jovens solteiros, e por isso era comum para nós passarmos a noite no estúdio bebendo durante a troca de ideias antes de irmos dormir. O presente mais precioso que pode dar um editor-chefe são suas ideias. Falar de um filme a que ele assistiu, ou ainda de uma pessoa interessante vista no trem, etc...


Q20: Cartas de fãs lhe passam uma forte emoção?
- Masami Kurumada: Sim. Quando comecei, tinha a impressão de que ser mangaká não era um trabalho muito viril, mas as cartas dos fãs que recebi vieram para me fazer mudar minha cabeça. Orgulho-me da profissão de mangaká, que permite fazer as pessoas sonharem e lhes dá esperança. Recebi também cartas de pessoas me dizendo que sofriam bullying na escola e que haviam tentado o suicídio, mas que desistiram disso ao pensarem nos personagens de Ring ni Kakero ou de Saint Seiya, que lhes gritavam para não fazerem aquilo.


Q21: Quais são seus três filmes favoritos?
- Masami Kurumada: “O Poderoso Chefão” e “Jingi Naki Tatakai”. Esses dois permanecem no topo de minha lista pessoal. A atuação de Nobuo Kaneko e de Takeshi Katō em “Jingi Naki Tatakai” é impressionante. Eu posso ver este filme dezenas de vezes sem jamais me entediar. Em “O Poderoso Chefão”, o pai esclarece ao filho que aqueles que não dão importância às suas famílias não são homens. Eu não gosto do comando através da violência, mas há um lado romântico no filme. Na realidade, mesmo nesse contexto, a família é apresentada como algo importante.


Q22: Seus três escritores preferidos?
- Masami Kurumada: É difícil escolher apenas três, mas eu diria que Ryūtarō Shiba, Eiji Yoshikawa e Chōgorō Kaionji.


Q23: Revistas que você lê sempre?
- Masami Kurumada: Nenhuma.


Q24: Sua comida favorita?
- Masami Kurumada: Carne ou sushi.


Q25: O que você faz nos dias de descanso?
- Masami Kurumada: Eu bebo álcool e depois me deito para descansar.


Q26: Hobbies?
- Masami Kurumada: Não tenho nenhum agora, na verdade. Outrora, estaria comprando um carro novo e depois dirigindo sem destino definido só para estar dentro dele.


Q27: O que lhe fascina atualmente?
- Masami Kurumada: Meu computador.


Q28: Seu esporte de luta favorito?
- Masami Kurumada: [K – 1], [PRIDE]
Em conversa com especialistas em artes marciais, cheguei a apreciar não só os combates no ringue, mas também a querer observar o drama dos atletas de perto. Existem muitos fãs de Ring ni Kakero entre os atletas atuais. Sakuraba Kazushi, por exemplo, usou uma técnica chamada “Hurricane Bolt” durante sua luta contra Hickson.


Q29: Quem é o mais forte em sua opinião?
- Masami Kurumada: No momento o melhor é Mirko Filipovic.


Q30: Há alguém que você respeita em particular?
- Masami Kurumada: Não.


Q31: O que você faz para manter a forma?
- Masami Kurumada: “Jo-sanpō” (N.T.: “sanpō”, caminhada/passeio). Uma corrida (jogging) não muito intensa; uma caminhada não muito lenta.


Q32: Você segue uma moda de vestuário específica?
- Masami Kurumada: Não.


Q33: Em que lugar você se sente mais relaxado?
- Masami Kurumada: Em meu estúdio.


Q34: Tiques?
- Masami Kurumada: Nenhum.


Q35: Em companhia de quem você bebe geralmente?
- Masami Kurumada: De muitas pessoas.


Q36: De que tipo de bebida alcoólica você gosta?
- Masami Kurumada: Todas me convêm. Scotch, Bourbon ou saquê japonês. Mas penso que o saquê japonês é a melhor.


Q37: Quanto você consome de álcool? Com que frequência você bebe por semana?
- Masami Kurumada: Eu bebo muito. Todos os dias.


Q38: Desastres ocorridos sob a influência do álcool?
- Masami Kurumada: Não há histórico de coisas graves que eu tenha feito estando ébrio, mas às vezes esqueço o que aconteceu no dia anterior.


Q39: Que tipo de carro você dirige no momento?
- Masami Kurumada: Um Estima. Quando eu era mais jovem era um BMW ou um Benz, porém não tenho mais a idade em que se pode parecer legal dirigindo um carro.


Q40: Que tipo de garoto você era na infância?
- Masami Kurumada: Era igual aos muitos filhos de artesãos que existiam no bairro.


Q41: Quando foi o seu primeiro amor?
- Masami Kurumada: Não lembro ao certo.


Q42: A que animes assistia quando criança?
- Masami Kurumada: O primeiro que me vem à memória é Tetsuwan Atom (Astro Boy).


Q43: Você se lembra do primeiro mangá que comprou?
- Masami Kurumada: Billy Pack. Este é um detetive que usa uma boina e um casaco.


Q44: Qual era sua “idol” favorita?
- Masami Kurumada: Na época da escola primária era Wakako Sakai.


Q45: Há algum programa de televisão que você nunca perde?
- Masami Kurumada: Digamos que "Jikan yo desu". Não, nenhum, na verdade.


Q46: Em que matérias você era bom?
- Masami Kurumada: Em línguas e em educação física tirava de 8 a 10. Alguém poderia pensar que eu era bom em artes e em música, mas na verdade tirava nelas de 4 a 6, somente.


Q47: Em que matérias você ia mal?
- Masami Kurumada: Em todas exceto educação física e línguas.


Q48: E atividades de clube?
- Masami Kurumada: Eu era do clube de judô. Na época o judô era muito popular na TV e tinha uma imagem legal, através de, por exemplo, Sugata Sanshirō. A visão daquele tempo era de que os heróis defensores da justiça praticavam o judô, enquanto que os personagens maus, seus inimigos, utilizavam o karatê.


Q49: Alguma vez você já praticou boxe?
- Masami Kurumada: Não, eu só fiz algumas pesquisas sobre. Primeiro pensei no conceito “Um garoto e sua irmã mais velha tentam transpor obstáculos” e então refleti sobre o esporte que permitiria mostrar isso. No fim das contas, foi o boxe.


Q50: Recentemente, algo lhe fez rir involuntariamente?
- Masami Kurumada: Com certeza, mas assim de imediato não saberia dar um exemplo.


Q51: Há coisas que lhe estão perturbando nestes dias?
- Masami Kurumada: Sim, frequentemente. Ver problemas como histórias de sequestros me deixa irritado, e chego a pensar que não tenho mais vontade de assistir ao noticiário.


Q52: Chorou alguma vez recentemente?
- Masami Kurumada: Não.


Q53: O que um homem não deve fazer?
- Masami Kurumada: Ser covarde e perverso.


Q54: O que você busca em uma mulher?
- Masami Kurumada: Gentileza. Aprecio a gentileza nas pessoas, homens ou mulheres.


Q55: O que fez você decidir usar a mitologia grega como pano de fundo?
- Masami Kurumada: Eu queria ser lido também por garotas. Achei que a mitologia grega trazia certa imagem romântica, o que poderia agradar tanto meninos quanto meninas. Até então, mesmo os mangás Shounen de luta mais populares eram descritos como “brutais” pelas garotas, que preferiam então manter distância. Evidentemente, eu queria escrever um mangá de luta e me disse que acrescentaria elegância nisso também, e é assim que cheguei a tal resultado. A ação é a ação, o detalhe é o detalhe.


Q56: De onde veio a ideia do termo “Cloth”?
- Masami Kurumada: As representações da mitologia grega mostravam os deuses usando tecidos. Tecido=Cloth, e como os deuses os trajam, são também “vestimentas sagradas”, 聖なる衣 em japonês. Encurtando 聖なる衣 se obtém 聖衣=Cloth.


Q57: Qual é sua técnica especial favorita em Saint Seiya?
- Masami Kurumada: O Pegasus Ryūsei Ken.


Q58: Qual é a ideia base do “Cosmos”?
- Masami Kurumada: Na televisão, tinha visto um programa onde o corpo humano era definido como um microcosmo (小宇宙 - shō uchū). Assim peguei o Cosmos (宇宙 - uchū) no âmbito estelar e escrevi 小宇宙.


Q59: De onde veio a ideia de um Mitsumasa Kido com cem filhos?
- Masami Kurumada: Vem de uma história que eu li na Bíblia de uma centena de filhos sacrificados. Mitsumasa Kido também sacrificou seus filhos a fim de se opor um terrível mal.


Q60: Existe algum personagem inspirado em você mesmo?
- Masami Kurumada: Os personagens principais representam meus princípios e meus sonhos. Por outro lado, os antagonistas representam aspectos de mim mesmo que eu odeio.


Q61: Você pensa em continuar a história de Seiya?
- Masami Kurumada: Eu não posso ainda fazer uma declaração, mas estou em contato com a Toei acerca de um filme. Sou do tipo que não se concentra em mais de uma criação ao mesmo tempo, e é em Ring ni Kakero 2 que trabalho atualmente. Mas eu gostaria de me ocupar de Saint Seiya um dia.


Q62: Em sua opinião, por que esta série é tão popular no exterior?
- Masami Kurumada: Há lágrimas, risos, emoção, pessoas que conseguem vencer outras mais fortes que elas. Essas são as bases de Saint Seiya, e eu penso que são coisas que entretêm em qualquer parte do mundo. Ainda que os personagens de Saint Seiya se vistam no estilo ocidental, a base é o “naniwabushi” e o “enka”. Conheci fãs da França e da Itália. Pessoas que haviam estudado japonês para poder ler Saint Seiya em sua versão original. Sinto-me feliz de ter criado uma obra que consegue ter tal impacto.


Q63: Qual é o ponto comum entre o “Kaiser Knuckle” e as Clothes?
- Masami Kurumada: A forma de escrever os nomes.


Q64: Pode-se dizer que você continuou seguindo o conceito das Clothes após Saint Seiya, em Silent Knight Shō e B'T X?
- Masami Kurumada: Depois de um sucesso como Saint Seiya, tudo o que você publicar em seguida será visto como repetição. Entretanto cada um é um universo diferente.


Q65: Por que você mesmo não faz Saint Seiya Episode G?
- Masami Kurumada: Porque há um limite para o montante de mangá que sou capaz de produzir.


Q66: O que importa mais quando você desenha um personagem?
- Masami Kurumada: Os olhos. Eu penso que mesmo se a silhueta do corpo for feita por outro não haverá incômodo, mas se eu não fizer os olhos os leitores dirão de imediato “Este não é o estilo usual de Kurumada”.


Q67: Muma, Shimon e Ikki são personagens que utilizam o controle mental. Você se interessa pelo mundo da mente?
- Masami Kurumada: Durante a Guerra Fria havia uma competição entre espiões estadunidenses e soviéticos. Isso pode ser o que me influenciou. O termo “Mind Control” tem uma boa sonoridade.


Q68: De onde você tirou a ideia da guerra das espadas sagradas?
- Masami Kurumada: Inicialmente havia só a fūrinkazan de Kojirō, mas apenas o protagonista poder possuir algo assim parecia desonesto, então acabei acrescentando outras espadas aos poucos, para que os inimigos também pudessem possui-las. No caso de uma história de luta, é necessário fazer elevar a tensão para acarretar uma exageração das coisas, e isso era muito difícil na linha colegial do início da história.


Q69: Qual é seu personagem favorito em Ring ni Kakero?
- Masami Kurumada: Katori Ishimatsu. Eu acho que pus nele muito de minha pessoa.


Q70: Qual é sua técnica especial favorita em Ring ni Kakero?
- Masami Kurumada: O Galactica Magnum. Pensei no melhor nome possível para o ataque de um gênio como Kenzaki. O nome significa “Poder explosivo capaz de destruir o universo”.


Q71: Quais foram as reações quando você criou o Boomerang Hook?
- Masami Kurumada: Os leitores me disseram que era interessante, e pensei comigo “sim, aqui está, é isso”. É impossível superar Ashita no Joe quando se trata de verdadeiro boxe. Pus-me a pensar numa maneira pela qual eu poderia fazer um estilo kurumadiano de mangá de boxe que não coincidisse com o de Ashita no Joe, e é assim que eu finalmente cheguei ao conceito de técnicas especiais. O Boomerang Hook foi um divisor de águas que iniciou um imperativo em todos os outros Kurumangás. Técnicas especiais que quando lançadas dão valor também aos inimigos.


Q72: O que você sentiu quando o Power Wrist e o Apollo Exerciser se tornaram populares produtos reais?
- Masami Kurumada: Que eu deveria ter registrado uma patente e montado minha própria empresa para vendê-los.


Q73: Se lhe dissessem que a Shūeisha poderia construir um belo edifício em homenagem aos maiores sucessos de Kurumada?
- Masami Kurumada: Eu pensaria que seria uma brincadeira.


Q74: Você pensou desde o início na relação amorosa entre Kenzaki e Kiku?
- Masami Kurumada: Não. Como não tenho talento para histórias de amor, procuro sempre que possível não ir nessa direção; ocorre simplesmente por acaso. A situação da história se prestava a isso.


Q75: Por que gosta de usar o esquema do garoto de região pobre lutando contra um burguês?
- Masami Kurumada: Eu creio que os japoneses sempre gostaram desse padrão. Ver o personagem principal numa situação de inferioridade faz você querer incentivá-lo, não?


Q76: Você tem uma inclinação para histórias que colocam em cena um garoto e sua irmã mais velha?
- Masami Kurumada: Eu penso que uma irmã mais velha como guia traz ternura à história bem como perspectivas de background mais interessantes que as de um velho decrépito. O amor familiar é importante. Quando minha mãe perguntava a meu pai, trabalhador da construção civil, a que horas ele voltaria, era do estilo deste responder-lhe “Quando um homem deixa sua família, sete ameças caem sobre ele, portanto eu não posso realmente responder”. Do meu ponto de vista de criança, eu achava essa resposta muito legal. Quaisquer que sejam os problemas que encontra em seu trabalho, um homem não leva suas preocupações para casa. Essa é a verdadeira força.


Q77: De onde você tira suas ideias singulares?
- Masami Kurumada: De filmes e de gekigás (N.T.: quadrinhos japoneses diferentes dos mangás; correspondem às “graphic novels” estadunidenses). Os esquemas dos gekigás de outrora eram muito inovadores. Como publicações semanais não permitem poucas páginas por capítulo, eu me esforço para criar uma cena que faça o leitor dizer “Uau, muito legal”, e ela se torna o núcleo do capítulo. Antes, ser capaz de mostrar uma ação desenhando várias vezes um braço em uma página era privilégio de mangakás, mas como os animes de hoje são igualmente capazes, os mangakás devem ficar atentos.

Um piloto para um filme live-action de Saint Seiya tinha sido feito em Hollywood. O resultado foi bom, mas como os atores eram muito “machões” não se encaixavam muito com os personagens.


Q78: Qual é o âmbito de Ring ni Kakero 2?
- Masami Kurumada: O filho de Kenzaki e Kiku tem entre 16 e 17 anos. Eu acho que este é o melhor período a se abordar. As pessoas que haviam lido Ring ni Kakero 1 na infância agora estão na casa dos trinta anos. Muitos pensam então que suas vidas são chatas, e eu desenho Ring ni Kakero 2 para mostrar-lhes que não, que em qualquer idade pode-se sonhar. Creio que é melhor desenhar este mangá imaginando um público de leitores na faixa dos trinta.


Q79: Ryuuji e Kenzaki estão vivos?
- Masami Kurumada: Como sou do tipo que pensa a história enquanto avanço, eu realmente não posso responder.


Q80: Três mangás que você recomenda?
- Masami Kurumada: Nenhum.


Q81: Um novo mangaká notável para você?
- Masami Kurumada: Não sei, porque não leio mais mangás.


Q82: Um mangaká que você respeita em especial?
- Masami Kurumada: Nenhum.


Q83: Seu tipo de música favorito?
- Masami Kurumada: Além de jazz e clássica, eu ouço de tudo.


Q84: De que gênero de programa televisivo você gosta?
- Masami Kurumada: Dos noticiários.


Q85: Qual é o toque do seu celular?
- Masami Kurumada: Saint Seiya, é claro.


Q86: Você utiliza computador?
- Masami Kurumada: Faz pouco tempo.


Q87: E quanto a seu site web?
- Masami Kurumada: Falo de minha vida e de minhas criações. É interessante.


Q88: Supersticioso?
- Masami Kurumada: Não.


Q89: Um lema?
- Masami Kurumada: Nenhum.


Q90: O que levaria para uma ilha deserta?
- Masami Kurumada: Que pergunta estranha. Encontramos isso em revistas de má qualidade. Eu passo.


Q91: Se lhe fosse permitido realizar um desejo, o que você pediria?
- Masami Kurumada: Pergunta similar à anterior.


Q92: Qual é a coisa mais cara que você já adquiriu?
- Masami Kurumada: Convidar jovens lutadores de artes marciais e de pro wrestling para comer e dar do dinheiro do próprio bolso é prazeroso. Se eu não fizesse isso, talvez pudesse construir dois ou três prédios. Mas acho melhor ajudar um homem a crescer do que levantar um edifício.


Q93: O que pensa da juventude de hoje?
- Masami Kurumada: Não é diferente da de antes. Todos são amistosos tomados separadamente, mas comportamentos ruins podem surgir quando em grupo.


Q94: Como mangaká, qual estilo você gostaria de tentar experimentar no futuro?
- Masami Kurumada: Gostaria de tentar fazer uma história de amor. Mesmo que fosse só um oneshot.


Q95: Qual é o maior segredo para perdurar?
- Masami Kurumada: Resistência.


Q96: Até quando você pretende continuar a fazer mangá?
- Masami Kurumada: Até quando houver leitores que queiram ler. Se ninguém quiser, não terei mais razão para segurar minha pena.


Q97: Que tipo de vida você imagina para sua velhice?
- Masami Kurumada: Nunca pensei.


Q98: Qual é o gênero de pessoa adequado para ser mangaká?
- Masami Kurumada: Uma pessoa das “massas populares”, no bom sentido do termo. Alguém que se interessa por todo tipo de coisas pode transcrever sua experiência em seus mangás.


Q99: Qual é a coisa mais importante para um mangaká?
- Masami Kurumada: Não trair seus leitores.


Q100: O que são os mangás para você?
- Masami Kurumada: Minha subsistência.

1 comentários :

pierrot disse...

Nossa que pedaço da história.
Pow Kurumada Sensei, então você gosta de encher o caneco kkkkk.
Apesar disso tem uma boa filosofia profissional. Esperamos que não lhe falte criatividade e bom ânimo para dar continuidade as suas histórias.
Ótima postagem.